20 de out de 2010

Atritos Roberto Crema

De fato, o amor nos transforma, tira as arestas, nos faz melhor, mesmo com pequenos atritos, mas relacionamento afinal indica isso... momentos de paz e guerra, onde a ponte de equilíbrio é o amor.
Belo texto! Boa leitura  kel


ATRITOS 
(Roberto Crema) 


"Ninguém muda ninguém; 
ninguém muda sozinho; 
nós mudamos nos encontros. "



Simples, mas profundo, preciso. 
É nos relacionamentos que nos transformamos. 
Somos transformados a partir dos encontros, 
desde que estejamos abertos e livres 
para sermos impactados 
pela idéia e sentimento do outro. 
Você já viu a diferença que há entre as pedras 
que estão na nascente de um rio, 
e as pedras que estão em sua foz? 



As pedras na nascente são toscas, 
pontiagudas, cheias de arestas. 
À medida que elas vão sendo carregadas 
pelo rio sofrendo a ação da água 
e se atritando com as outras pedras, 
ao longo de muitos anos, 
elas vão sendo polidas, desbastadas. 
Assim também agem nossos contatos humanos. 
Sem eles, a vida seria monótona, árida. 
A observação mais importante é constatar 
que não existem sentimentos, bons ou ruins, 
sem a existência do outro, sem o seu contato. 
Passar pela vida sem se permitir 
um relacionamento próximo com o outro, 
é não crescer, não evoluir, não se transformar. 



É começar e terminar a existência 
com uma forma tosca, pontiaguda, amorfa. 
Quando olho para trás, 
vejo que hoje carrego em meu ser 
várias marcas de pessoas 
extremamente importantes. 



Pessoas que, no contato com elas, 
me permitiram ir dando forma ao que sou, 
eliminando arestas, 
transformando-me em alguém melhor, 
mais suave, mais harmônico, mais integrado. 
Outras, sem dúvidas, 
com suas ações e palavras 
me criaram novas arestas, 
que precisaram ser desbastadas 
Faz parte... 
Reveses momentâneos 
servem para o crescimento. 
A isso chamamos experiência. 
Penso que existe algo mais profundo, 
ainda nessa análise. 
Começamos a jornada da vida 
como grandes pedras, 
cheia de excessos. 
Os seres de grande valor, 
percebem que ao final da vida, 
foram perdendo todos os excessos 
que formavam suas arestas, 
se aproximando cada vez mais de sua essência, 
e ficando cada vez menores, menores, menores... 



Quando finalmente aceitamos 
que somos pequenos, ínfimos, 
dada a compreensão da existência 
e importância do outro, 
e principalmente da grandeza de 
Deus, é que finalmente nos tornamos grandes em valor. 



Já viu o tamanho do diamante polido, lapidado? 
Sabemos quanto se tira 
de excesso para chegar ao seu âmago. 



É lá que está o verdadeiro valor... 
Pois, Deus fez a cada um de nós 
com um âmago bem forte 
e muito parecido com o diamante bruto, 
constituído de muitos elementos, 
mas essencialmente de amor. 
Deus deu a cada um de nós essa capacidade, 
a de amar... 
Mas temos que aprender como. 



Para chegarmos a esse âmago, 
temos que nos permitir, 
através dos relacionamentos, 
ir desbastando todos os excessos 
que nos impedem de usá-lo, 
de fazê-lo brilhar 



Por muito tempo em minha vida acreditei 
que amar significava evitar sentimentos ruins. 
Não entendia que ferir e ser ferido, 
ter e provocar raiva, 
ignorar e ser ignorado 
faz parte da construção do aprendizado do amor. 



Não compreendia que se aprende a amar 
sentindo todos esses sentimentos contraditórios e... 
os superando. 
Ora, esse sentimentos simplesmente 
não ocorrem se não houver envolvimento... 



E envolvimento gera atrito. 
Minha palavra final: ATRITE-SE! 



Não existe outra forma de descobrir o amor. 
E sem ele a vida não tem significado."




Nenhum comentário:

Postar um comentário